Discurso sustentável com realidade suja: Qual o real número de emissões da COP 30 com os geradores a diesel, quanto custou, e quanto seria a redução de emissões e economia trocando o diesel por etanol nos geradores.
A polêmica dos geradores a diesel na COP 30 evidenciou uma verdade simples: não adianta discurso sustentável sem ações sustentáveis baseadas em dados e engenharia. Apenas “batizar” o diesel com biodiesel para publicamente dizer que é sustentável sem analisar a fundo, medir e comparar com outras alternativas, deixa claro que a real intenção é apenas mídia e não a sustentabilidade. Especialmente quando há alternativa nacional, com menor intensidade de carbono e custo total competitivo, como o etanol.
Conhecido como ‘greenwashing’, o ato de empresas e eventos publicarem suas iniciativas ditas ‘sustentáveis’ apenas para ganhar mídia é um grande problema no mercado atual. É fácil identificar quando é esse o caso por dois fatores: 1. Falta de mensuração de dados, mostrando que é mais importante falar sobre o assunto do que realmente demonstrar o quanto foi positivo a ação (e em quais métricas – CO, CO2, NOx, etc); 2. Realmente analisar e escolher alternativas mais eficientes, e investir nas melhores escolhas, mesmo que sejam mais complexas ou de mais longo prazo, e não escolher apenas o mais fácil. Isso demonstra o real objetivo, não é ser sustentável, e sim mostrar que está sendo sustentável.
Como exemplar retrato, a COP 30 demonstrou essa postura, onde era planejado utilizar biocombustível 100% renovável, o que não passou de uma linha de requisitos sem nexo na licitação. A explicação é simples, não é só ‘trocar o diesel por biodiesel’ que funciona em qualquer motor, assim como pensavam os governantes. Ou seja, decidem pela opção simples, sem noção da aplicação prática, ou do real benefício sustentável dessa opção. É simplesmente, uma escolha midiática.
Quais as reais emissões dos geradores a diesel na COP 30?
Fizemos um cálculo simulado das emissões do evento, utilizando a referência divulgada de 160 grupos de 80 kVA e um perfil de uso compatível com a operação real. Consideramos 75% de carga por gerador (equivalente a ~60 kW de potência ativa média), com 12 horas por dia ao longo de 12 dias, totalizando 120 h de operação. Nesse cenário, a energia efetivamente entregue soma 1.152.000 kWh.
Com base em fatores específicos por kWh já adotados nos nossos estudos, o comparativo é direto: no diesel, 0,45 L/kWh e 1.250 gCO₂/kWh; no etanol, 0,55 L/kWh e 1.080 gCO₂/kWh. Aplicando preços médios observados em 2025 (R$ 6,06/L para diesel e R$ 4,28/L para etanol), chegamos a um quadro objetivo do que teria acontecido se os geradores do evento fossem a etanol dedicado em ciclo Otto.
Pelos números, o diesel teria consumido cerca de 518.400 L, enquanto o etanol demandaria 633.600 L. Mesmo com maior volume em litros, o custo total com etanol seria ≈ R$ 2.711.808,00, contra ≈ R$ 3.141.504,00 no diesel, uma economia aproximada de R$ 429.696,00 trocando diesel por etanol. No âmbito ambiental, o contraste é ainda mais forte: ~1.440 tCO₂ com diesel versus ~1.244,16 tCO₂ com etanol, ou seja, ~195,84 tCO₂ a menos (redução da ordem de 65% por kWh), além de menor fumaça e odor local.
Etanol, solução real ou mais greenwashing?
Nesse ponto fica claro a importância da soberania nacional, o etanol é matriz Brasileira, isso quer dizer que temos controle não apenas dos insumos, produção e logística, mas o mais importante para o novo mercado de sustentabilidade: temos o controle das pesquisas, dos desenvolvimentos, e dos dados e métricas produzidos pelos seus resultados. Em outras palavras, esses resultados não são “mídia”, ele é uma medição, com dados técnicos e operacionais realistas.
Com o benefício da simples implementação, quando se fala de motores Otto dedicados a etanol, sem as dores recorrentes do biodiesel em equipamentos legados (compatibilidade de materiais, filtros, higroscopicidade e comportamento a frio). Além de que reduzimos a dependência de importação, mantendo todo o valor valor da cadeia de suprimentos, fabricação e tecnologia no Brasil.
Por fim, a diferença de ~200 toneladas de CO₂ abre um caminho adicional: creditação de carbono com MRV (monitoramento, reporte e verificação). Com telemetria IoT do Ecogerador® a etanol, é possível qualificar e quantificar a redução para acreditar os próximos eventos com descarbonização real, um ativo reputacional e financeiro que tende a ser decisivo nos próximos anos.
Referências:
Jakhrani, A. Q. (2012). Estimation of Carbon Footprints from Diesel Generator Emissions. In: 2012 International Conference on Green and Ubiquitous Technology. Kota Samarahan: Universiti Malaysia Sarawak.
Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC). (2006). IPCC Guidelines for National Greenhouse Gas Inventories, Volume 2: Energy. Geneva: IPCC.
Miller, T., & Roberts, S. (2015). Emissions Control in Diesel Engines: Technologies and Trends. Journal of Sustainable Energy, 22(4), 112–125.
Deutsche Gesellschaft für Technische Zusammenarbeit GmbH (GTZ). (2008). Accounting for Greenhouse Gas Emissions in Energy-Related Projects: Applying an Emission Calculating Tool to Technical Assistance. Eschborn: GTZ.
European Environment Agency (EEA). (2021). EMEP/EEA Air Pollutant Emission Inventory Guidebook. Copenhagen: EEA.
U.S. Energy Information Administration (EIA). (2022). Carbon Dioxide Emissions Coefficients. Washington, DC: EIA.
Johnson, A. (2010). Emergency Power Systems: A Comprehensive Guide to High-Speed Diesel Generators. Power Engineering Quarterly, 45(3), 78-92.
Postado por: João ‘Jovis’ Arruda – CEO Liconic Technology







