A ampliação do acesso à energia elétrica na Amazônia é uma necessidade social urgente. A escolha da fonte usada para produzir essa energia também precisa fazer parte da discussão.
A exclusão elétrica na Amazônia Legal
Um estudo publicado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente estimou que 990.103 pessoas viviam sem acesso formal à energia elétrica na Amazônia Legal em 2018. O Pará concentrava o maior número, com aproximadamente 409 mil pessoas, seguido pelo Amazonas, com cerca de 160 mil.
O levantamento identificou 78.388 pessoas sem energia em terras indígenas, 212.791 em assentamentos rurais e 59.106 em unidades de conservação. Esses números não devem ser simplesmente somados, pois existem áreas de sobreposição entre as diferentes demarcações territoriais.

A ausência de eletricidade interfere diretamente nas condições de vida dessas populações. Sem um fornecimento confiável, ficam comprometidos a conservação de alimentos e vacinas, o bombeamento de água, a iluminação, a comunicação, o uso de computadores, a educação e diversas atividades capazes de gerar renda local.
Levar energia para essas regiões não é importante apenas para acender lâmpadas, na verdade ela significa permitir que postos de saúde armazenem medicamentos, escolas utilizem equipamentos, famílias conservem alimentos e comunidades tenham acesso a meios de comunicação e produção.
O peso do diesel nos sistemas isolados
Grande parte das localidades remotas da Amazônia não está conectada ao Sistema Interligado Nacional. O atendimento depende de sistemas locais de geração, conhecidos como Sistemas Isolados.
Nos dados utilizados pelo IEMA, 97% da capacidade desses sistemas era abastecida com óleo diesel. O relatório descreve esse atendimento como mais caro, poluente, ruidoso e menos confiável do que o fornecimento realizado pelo sistema interligado.
Um projeto implantado no Amazonas ajuda a entender o tamanho dessa operação. Foram instalados geradores a diesel com 137,7 MW de potência para atender 26 localidades remotas. Os equipamentos percorreram cerca de 20 mil quilômetros pela rede de rios amazônicos e foram planejados para funcionar durante 24 horas por dia, em um contrato de 15 anos.
É claro que a chegada dessa energia representa uma grande melhoria para a população. Contudo, o problema não está no objetivo do projeto, mas na dependência prolongada de um combustível fóssil que precisa ser transportado e armazenado em grandes volumes.

Quanto maior a distância, mais complexa se torna a logística. Para isso, o combustível precisa atravessar rios e estradas, para então chegar aos pontos de geração e permanecer armazenado próximo às comunidades, os quais sofrem com o risco de vazamentos, que atingem o solo e os cursos d’água. A queima contínua também produz emissões atmosféricas locais e ruído perto dos vilarejos atendidos.
O espaço ainda pouco explorado pelo etanol
A diferença entre a geração registrada com diesel e etanol mostra como os combustíveis renováveis ainda são pouco utilizados nesse mercado.
Uma soma dos empreendimentos em operação registrados na base SIGA da ANEEL, atualizada em 1º de julho de 2026, indica aproximadamente 3,85 GW de potência fiscalizada movida a óleo diesel. A geração registrada com etanol soma apenas 320 kW. Dentro dessa base, a potência a diesel é cerca de 12 mil vezes maior.

Esse dado não significa que o etanol possa substituir imediatamente o diesel em todas as aplicações. Cada localidade possui necessidades próprias de potência, autonomia, abastecimento e manutenção. A diferença mostra que existe um campo praticamente inexplorado para tecnologias de geração baseadas em um combustível renovável produzido no Brasil.
O etanol permite desenvolver soluções com menor emissão local de poluentes e menor dependência de combustíveis fósseis. Sua utilização na geração descentralizada também ajuda a fortalecer uma cadeia energética nacional, conectando o setor elétrico à produção brasileira de biocombustíveis.
O papel do Ecogerador
Nesse novo cenário de necessidade de energia, mas que também atende às metas sustentáveis, o Ecogerador a etanol da Liconic foi desenvolvido, atendendo aplicações que precisam de geração descentralizada com baixa emissão. A tecnologia pode ser utilizada em centros urbanos, operações empresariais e localidades onde as restrições ambientais tornam o uso de equipamentos convencionais cada vez mais difícil.
Nos ensaios realizados no Instituto de Pesquisas Tecnológicas em 2023, os equipamentos da Liconic apresentaram, segundo os resultados citados no post, emissões aproximadamente 94% inferiores ao limite estabelecido pela regulamentação aplicada aos grupos geradores na cidade de São Paulo.

Esse desempenho demonstra claramente que a discussão sobre universalização da energia não precisa ficar restrita às mesmas tecnologias utilizadas há décadas. Geradores a etanol podem ocupar parte desse espaço, principalmente em projetos que precisam conciliar confiabilidade, controle de emissões e geração próxima ao local de consumo.
A tecnologia também pode trabalhar de forma complementar a painéis solares e sistemas de armazenamento. Em períodos sem radiação solar ou quando as baterias atingem níveis baixos, o gerador pode oferecer segurança ao fornecimento sem manter a operação permanentemente dependente do diesel.
Levar energia limpa é o próximo passo
Não devemos fugir do tópico principal. A exclusão elétrica na Amazônia exige solução imediata. Comunidades não podem esperar indefinidamente pela expansão de grandes redes de transmissão e distribuição. A geração descentralizada continuará sendo essencial para chegar a regiões isoladas.
Contudo, essa urgência não elimina a responsabilidade ambiental. Instalar uma solução baseada em combustíveis fósseis durante anos pode resolver a falta de eletricidade enquanto cria novos riscos de emissão, armazenamento e contaminação.
O Brasil possui conhecimento técnico, produção de biocombustíveis e capacidade industrial para desenvolver alternativas. O etanol ainda representa uma parcela mínima da geração registrada no país, mas oferece espaço para uma transição construída com tecnologia nacional.

Hoje é o momento de começar a levar energia com menos emissões, menor dependência fóssil e maior responsabilidade ambiental, e o Ecogerador a Etanol coloca o Brasil dentro dessa transformação. Como enfatizado no início: Nem toda solução para um problema precisa criar outro, e a Liconic já tem essa solução.
Murilo Rodrigues Rodelli – CTO Liconic Technology
