A Liconic Technology concluiu a Fase 1 do projeto PIPE FAPESP “Unidade de Potência Auxiliar a Etanol para Locomotivas Diesel-Elétricas”, uma iniciativa de pesquisa aplicada voltada ao desenvolvimento de uma solução auxiliar de geração de energia para o setor ferroviário.
O PIPE é um programa da FAPESP voltado ao apoio de pesquisas científicas e tecnológicas desenvolvidas por pequenas empresas no Estado de São Paulo. Seu objetivo é estimular a inovação, fortalecer a competitividade empresarial e aproximar empresas, pesquisadores e instituições parceiras em projetos com potencial de impacto tecnológico, econômico e social.
No caso da Liconic, o projeto teve como foco o desenvolvimento de uma Unidade de Potência Auxiliar, também conhecida como APU, alimentada por etanol e projetada para atender sistemas auxiliares de locomotivas diesel-elétricas. A proposta parte de um desafio relevante da operação ferroviária brasileira: em determinados corredores logísticos, locomotivas heavy haul podem permanecer uma parcela significativa do tempo em condição de parada operacional, mantendo seus motores principais ligados apenas para alimentar sistemas como climatização, iluminação, computadores de bordo e outros acessórios de suporte à operação.

Esse cenário representa uma oportunidade importante para o desenvolvimento de soluções de eficiência energética e transição tecnológica. Em vez de utilizar o motor principal da locomotiva, com potência dimensionada para tração, a APU busca fornecer energia aos sistemas auxiliares de forma dedicada, abrindo caminho para redução de consumo de combustível, redução de emissões e melhor aproveitamento operacional da frota.
Onde tudo começou?
O projeto teve origem em 2023, a partir da conexão entre a Liconic Technology e a VLI Logística durante um programa de inovação promovido pela FIEMG Lab. A partir dessa aproximação, foi identificada uma dor operacional relevante no setor ferroviário e iniciou-se uma prova de conceito para avaliar a viabilidade de uma APU alimentada por etanol.
Essa etapa inicial permitiu transformar uma hipótese tecnológica em um projeto estruturado de pesquisa e desenvolvimento. A partir dos aprendizados obtidos com a prova de conceito, a Liconic avançou para uma abordagem mais completa, envolvendo levantamento de requisitos, análise de aplicação em locomotivas, estudos de integração, modelagem mecânica, elétrica e eletrônica, além de avaliações preliminares sobre a utilização do etanol em ambiente ferroviário.

A escolha do etanol está diretamente ligada à trajetória tecnológica da Liconic. Desde sua origem, a empresa desenvolve sistemas de geração de energia baseados em biocombustíveis, explorando o etanol como uma alternativa brasileira, renovável e estrategicamente relevante para aplicações de energia distribuída, mobilidade e sistemas auxiliares.
O desenvolvimento no PIPE FAPESP
Durante a Fase 1 do PIPE FAPESP, a Liconic concentrou seus esforços no avanço da maturidade tecnológica da solução, com o objetivo de estruturar o projeto em nível computacional e preparar sua evolução para etapas futuras de prototipagem e validação.
O desenvolvimento contemplou a definição da arquitetura geral da APU, o levantamento de requisitos técnicos junto à VLI, a modelagem de componentes e sistemas em ambiente CAD/CAE, estudos de integração com a locomotiva, análise de componentes adequados ao ambiente ferroviário e avaliação das condições necessárias para aplicação futura da tecnologia em campo.


Um dos pontos centrais da pesquisa foi a construção conjunta dos requisitos técnicos entre as equipes da Liconic e da VLI. Esse processo permitiu alinhar as necessidades operacionais da ferrovia com as soluções propostas pela engenharia da Liconic, considerando aspectos como fornecimento de energia, segurança, robustez, interface com a locomotiva, modos de operação, manutenção e não interferência nos sistemas originais do veículo ferroviário.

Além do desenvolvimento técnico, a pesquisa também envolveu atividades de campo e visitas técnicas junto à VLI. A equipe da Liconic realizou uma visita de ambientação em Paulínia/SP, com o objetivo de compreender melhor a estrutura, os processos e a operação da empresa parceira. Também foram realizadas visitas aos centros de operação em Divinópolis/MG e Imperatriz/MA, fundamentais para aproximar a equipe do ambiente real de aplicação da tecnologia, compreender as rotinas operacionais ferroviárias, levantar informações técnicas e validar premissas importantes para o desenvolvimento da APU.

Essas visitas tiveram papel relevante na evolução do projeto, pois permitiram transformar informações de campo em requisitos de engenharia. A partir do contato direto com a operação ferroviária, foi possível considerar aspectos como integração com a locomotiva, manutenção, segurança, abastecimento, restrições físicas, condições ambientais e necessidades reais dos usuários e operadores.

A parceria com a VLI foi um elemento essencial para o avanço do projeto. Em iniciativas de inovação profunda, especialmente em setores regulados e de alta complexidade como o ferroviário, a participação de empresas operadoras é decisiva. O contato direto com o campo permite que uma tecnologia deixe de ser apenas uma solução conceitual e passe a considerar, desde as primeiras etapas de desenvolvimento, as restrições reais de operação, manutenção, segurança, logística e integração.

Uma solução para eficiência energética e transição tecnológica
A APU a etanol representa uma proposta de inovação voltada à eficiência energética e à descarbonização gradual do setor ferroviário. O projeto não busca substituir a locomotiva ou sua função principal de tração, mas sim oferecer uma solução auxiliar para períodos em que o motor principal permanece ligado sem necessidade de propulsão.

Essa abordagem permite atacar um ponto específico da operação: o consumo improdutivo de combustível durante períodos de ociosidade operacional. Ao fornecer energia de forma dedicada aos sistemas auxiliares, a APU pode contribuir para reduzir desperdícios, melhorar a eficiência da frota e criar uma rota tecnológica baseada em biocombustível nacional.

Ao longo da Fase 1, também foram avaliados desafios importantes para a adoção do etanol no setor ferroviário, incluindo logística de abastecimento, segurança operacional, armazenamento, procedimentos de manutenção e adequação normativa. Esses pontos reforçam que a transição energética em setores complexos exige não apenas desenvolvimento de produto, mas também construção de infraestrutura, validação técnica e amadurecimento regulatório.

Próximos passos
A conclusão da Fase 1 representa um marco importante para a Liconic Technology e para a consolidação da empresa como desenvolvedora de tecnologias de geração de energia renovável aplicadas a ambientes de alta complexidade.
Os resultados obtidos servem como base para a continuidade do projeto em uma próxima etapa, com foco na construção, validação e teste de protótipos em condições cada vez mais próximas da operação real. A expectativa é que a evolução da pesquisa permita aprofundar os testes de integração, desempenho, confiabilidade e operação da APU, mantendo o etanol como rota estratégica para a transição energética ferroviária.
Mais do que o encerramento de uma etapa, a conclusão da Fase 1 do PIPE FAPESP marca o avanço de uma jornada de inovação construída em parceria. Para a Liconic, esse projeto reforça a importância da colaboração entre startups de base tecnológica, agências de fomento, instituições de pesquisa e grandes empresas dispostas a apoiar o desenvolvimento de soluções nacionais para desafios reais da indústria.

A Liconic Technology agradece à FAPESP, à VLI Logística e a todos os profissionais envolvidos nesta etapa de pesquisa e desenvolvimento. A próxima fase será dedicada a transformar o conhecimento acumulado em validações práticas, ampliando o potencial de aplicação da tecnologia e contribuindo para um setor ferroviário mais eficiente, competitivo e sustentável.
















