Em muitas operações de campo, veículos ficam parados por horas com o motor ligado apenas para alimentar equipamentos, iluminação, sistemas hidráulicos ou baterias auxiliares. Esse uso em marcha lenta consome diesel, aumenta horas de motor, antecipa manutenções e piora as condições de trabalho ao redor da equipe.
Quem acompanha operações de manutenção de redes elétricas, telecomunicações, saneamento ou infraestrutura provavelmente já viu esse cenário: uma caminhonete, van ou caminhão permanecendo parado por horas com o motor ligado.

Isso porque a operação precisa de energia, mesmo com o veículo não estando em deslocamento. Essa energia vai para movimentar uma escada, plataforma hidráulica, manter a iluminação, carregar baterias, ligar misturador de calda e alimentar ferramentas ou equipamentos eletrônicos instalados no veículo.
O problema é que, na prática, um motor projetado para movimentar algumas toneladas passa a trabalhar mais horas apenas para produzir uma pequena quantidade de energia elétrica, consumindo diesel desnecessariamente, acrescentando horas ao motor, antecipando trocas de óleo, de filtros e de bateria, e ainda aumentando o desgaste de componentes. Dependendo da configuração elétrica, a operação também pode exigir baterias adicionais ou provocar descargas frequentes da bateria auxiliar.
Não é só gasto de combustível
O combustível costuma ser o custo mais fácil de enxergar, mas não é o único.
Quando o motor principal permanece ligado, também existem ruído, calor e gases de escapamento próximos às pessoas que estão trabalhando. Em alguns casos, o operador passa várias horas ao lado do veículo enquanto executa uma manutenção ou aguarda a conclusão de uma atividade.
Além do desconforto, há uma questão operacional. As horas acumuladas em marcha lenta entram no ciclo de manutenção do veículo, mesmo sem ele ter percorrido grandes distâncias. Isso cria uma diferença entre a quilometragem registrada e o desgaste real do motor.

Para empresas que operam centenas desses veículos, esse efeito começa a aparecer no TCO (custo total de operação), relativo à manutenção e à disponibilidade dos ativos. Também passa a ser relevante para empresas que precisam demonstrar redução de emissões e melhoria das condições de trabalho em campo.

Gerador de energia auxiliar a etanol
Uma alternativa é separar as duas funções: deixar o motor principal responsável pelo deslocamento e utilizar uma unidade auxiliar de energia, como um Ecogerador a Etanol embarcado no veículo em forma de APU (Auxiliary Power Unit), para alimentar os equipamentos durante a parada.
Esse é um sistema compacto e que pode ser instalado no próprio implemento do veículo, normalmente em um compartimento lateral, traseiro ou em outra área técnica definida de acordo com o espaço disponível, a ventilação, o acesso para manutenção e a distribuição de peso.

Existem diferentes configurações possíveis, podendo fornecer energia em 12 VDC ou 24 VDC, atendendo iluminação, sistemas embarcados, baterias e conjuntos hidráulicos, mas também pode disponibilizar 110/220 V em corrente alternada ao mesmo tempo, para atender ferramentas, carregadores, bombas e outros equipamentos usados pela equipe.
Com isso a operação é simples: o veículo chega ao local, o motor principal é desligado e a unidade auxiliar assume o fornecimento de energia. A arquitetura que temos desenvolvido na Liconic considera um equipamento leve, de fácil manutenção, e com autonomia superior a 12 horas, dependendo do tanque, da potência exigida e do perfil de uso.

O impacto fica mais claro quando olhamos as horas acumuladas. Em uma operação com quatro horas diárias de motor ocioso, durante 250 dias por ano, são aproximadamente 1.000 horas de funcionamento por veículo que poderiam ser transferidas do motor principal para um equipamento menor.
Em uma frota de 100 veículos, isso representa cerca de 100 mil horas anuais de motor ocioso. A economia real dependerá do consumo do veículo em marcha lenta, do consumo da unidade auxiliar, do preço dos combustíveis e dos custos de manutenção. Ainda assim, a escala mostra por que esse tema merece atenção.
Trocando diesel por etanol: Economia e sustentabilidade
Claro que os principais indicadores são relativos a manutenção como ‘horas de motor diesel evitadas’, contudo o benefício de escolher o etanol é que agora podemos considerar ‘litros de diesel substituídos’, também podendo acompanhar as emissões evitadas e o impacto local da operação, principalmente em relação à fumaça e ao ruído próximos aos colaboradores. Por fim, também é possível demonstrar a redução de custos de manutenção e a redução da quantidade de baterias ou componentes substituídos ao longo do período.

Com o sistema de telemetria dos Ecogeradores a Etanol da Liconic, esses dados podem ser registrados durante a operação. Isso permite comparar veículos, localidades e tipos de atividade, além de verificar se o resultado obtido em campo corresponde ao que havia sido estimado.
Mas é importante analisar cada operação, visto que cada uma tem uma realidade diferente. Um veículo que utiliza iluminação e ferramentas elétricas possui uma demanda distinta de outro que movimenta um sistema hidráulico. A solução precisa ser adaptada à carga, e não apenas instalada de maneira genérica.
O trabalho da Liconic em geradores auxiliares a etanol
Nos últimos anos trabalhamos com Ecogeradores® a Etanol e com sistemas auxiliares de energia aplicados a diferentes equipamentos. Essa experiência nos levou a observar que o problema do motor ocioso não está restrito a um setor específico.
Ele aparece em caminhonetes de manutenção, caminhões, locomotivas, máquinas fora de estrada, embarcações e outros equipamentos que possuem um motor principal de grande porte, mas precisam de uma quantidade muito menor de energia durante parte da operação.
A aplicação embarcada de uma APU a etanol é uma evolução natural desse trabalho, não apenas trocando diesel por etanol, mas dimensionando um equipamento mais adequado para a função, reduzir as horas do motor principal e entregar as tensões elétricas que a operação realmente precisa.

Muitas empresas ainda precisarão utilizar veículos a combustão por vários anos. Isso não significa que seja necessário esperar a substituição completa da frota para começar a reduzir custos e emissões. Existe espaço para melhorar os veículos que já estão operando, separando deslocamento e geração de energia, medindo os resultados e tomando decisões com base nos dados.
Nesse novo mercado, eficiência operacional e sustentabilidade deixam de ser assuntos separados. Buscar soluções para reduzir emissões também pode (e devem) significar consumir menos combustível, fazer menos manutenção e oferecer melhores condições para quem trabalha próximo ao veículo.
Postado por João ‘Jovis’ Arruda – CEO da Liconic Technology

