A transição energética brasileira passa pela expansão de fontes como solar, eólica, biogás e biocombustíveis. Cada uma dessas rotas tem um papel específico dentro do sistema. No caso da geração elétrica, um dos grandes desafios é garantir energia disponível sob demanda, especialmente nos momentos em que fontes intermitentes não conseguem atender plenamente a rede.
Recentemente, a Suape Energia anunciou a implantação do Projeto Etanol, em parceria com a Wärtsilä Energy. A iniciativa envolve um motor Wärtsilä 32M adaptado para operar majoritariamente com etanol na geração termelétrica, instalado no Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco. O projeto entra agora em uma etapa de testes em operação real, voltada à validação de desempenho, emissões, confiabilidade e viabilidade econômica.

Esse avanço amplia o papel do etanol dentro da matriz energética nacional, que historicamente está associado ao setor de transportes. Agora, o biocombustível começa a ganhar espaço em aplicações de geração elétrica, principalmente onde há necessidade de energia despachável, armazenável e com menor dependência de combustíveis fósseis.
É importante entender o valor estratégico dessa alternativa para o Brasil. O país já possui uma cadeia produtiva consolidada de etanol, com produção agrícola, usinas, logística, distribuição, centros de pesquisa e conhecimento técnico acumulado. Vamos entrar com mais detalhes em cada um desses fatores nos textos abaixo, mas é de suma importante que isso fique absolutamente claro o como cria oportunidades para desenvolver soluções de energia com fontes nacionais fará o Brasil se destacar no cenário mundial.
É com essa visão que que a trajetória da Liconic Technology foi construída. Nos últimos anos temos desenvolvido soluções de geração de energia baseadas em etanol, incluindo o Ecogerador a Etanol para energia de emergência, sem fumaça e econômica, além de projetos de APU a etanol para aplicações ferroviárias, entre outras aplicações especiais.
De acordo com essa estratégia, o projeto em Suape reforça uma tese que já orienta o desenvolvimento da Liconic: o etanol pode ocupar um espaço relevante na energia despachável, no backup sustentável e em sistemas auxiliares de energia.

(APU a Etanol para Locomotivas – Desenvolvimento Liconic Technology)
O Projeto Etanol em Suape
Agora sobre o ‘Projeto Etanol’, que acabou de ser implantada na usina Suape II no Pernambuco, a iniciativa exige muito mais do que a substituição do combustível. Um motor de grande porte operando com etanol precisa passar por validações de combustão, controle de injeção, emissões, segurança operacional, manutenção e durabilidade dos componentes. A aplicação em campo é fundamental para comprovar como o sistema se comporta em diferentes cargas, condições de operação e regimes de uso.

A campanha de testes prevista pela Wärtsilä deve chegar a milhares de horas de operação, gerando dados sobre consumo, estabilidade, disponibilidade, desgaste, custo operacional e confiabilidade. Informações essenciais para avaliar o potencial da tecnologia e indicar os próximos passos para sua aplicação comercial.

Esse tipo de validação é comum em rotas tecnológicas novas. No caso da Liconic, a lógica é semelhante em outra escala. O Ecogerador a Etanol vem sendo validado em aplicações reais de backup de energia, principalmente em condomínios e indústrias locais, onde confiabilidade, manutenção, resposta sob demanda e custo de operação são pontos centrais para a adoção da tecnologia.
Etanol como cadeia estratégica de energia
O etanol é definitivamente uma potência Brasileira, contando com uma cadeia produtiva nacional completa, envolvendo o setor agrícola, usinas, equipamentos, logística, distribuição, centros tecnológicos e profissionais especializados em combustíveis renováveis, motores e sistemas de energia.

Essa estrutura dá ao nosso país uma vantagem extremamente importante, e ao desenvolver novas aplicações para o etanol, o Brasil fortalece uma rota energética baseada em recursos, conhecimento e infraestrutura já presentes no território nacional. Isso é conhecido como soberania energética, e se bem alinhada com o desenvolvimento agrícola (para produção do insumo) e industrial (para produção dos equipamentos consumidores), a geração de valor dentro da própria cadeia brasileira será virtuosa.
A Agência Internacional de Energia aponta que os combustíveis renováveis podem se aproximar de 6% da demanda energética dos setores de indústria, edifícios e transporte até 2030, com destaque para o crescimento da bioenergia. O que esse dado reforça é a importância de criar soluções complementares, para além da produção do etanol, visando a transição energética nacional, assim como o ‘Projeto Etanol’ e o Ecogerador® a Etanol da Liconic.

Outros grandes benefícios do etanol, relevantes para sua larga adoção são: pode ser armazenado e transportado. Parece simples mas essa condição favorece aplicações em geração emergencial, backup, suporte à rede e sistemas híbridos. Em um sistema elétrico cada vez mais renovável, fontes despacháveis (Leia-se: que pode ser ligada a qualquer momento, sem depender de fatores externos), que contem com baixas emissões, tendem a ganhar importância.
É nesse novo mercado em que o Ecogerador a Etanol da Liconic se posiciona. A solução foi desenvolvida para oferecer energia de emergência e suporte a cargas críticas, utilizando um biocombustível renovável, amplamente disponível no Brasil e alinhado à cadeia nacional de biocombustíveis.
O que a tecnologia da Wärtsilä indica para o mercado
Podemos utilizar a referência de tecnologia aplicada pela Wärtsilä para demonstrar a complexidade de levar biocombustíveis para motores de grande porte. Em equipamentos dessa escala, o desafio envolve controle preciso da combustão, estabilidade operacional, segurança, eficiência e confiabilidade durante milhares de horas de funcionamento.
Essa leitura é importante para todo o mercado de geração a etanol. Tecnologias desse tipo precisam de pesquisa, testes, validação e apoio institucional. O desenvolvimento envolve engenharia mecânica, elétrica, eletrônica, controle, segurança, abastecimento, manutenção e integração com a aplicação final.
Para a Liconic, o avanço em Suape é positivo porque fortalece o etanol como uma rota energética séria para geração elétrica. Quando uma empresa global como a Wärtsilä investe em testes com etanol em geração termelétrica, o tema ganha mais espaço técnico, regulatório e comercial. Isso ajuda a abrir caminho para aplicações em diferentes escalas, incluindo soluções de menores potências, como o Ecogerador.
O projeto de Suape está voltado à geração termelétrica de grande porte. O Ecogerador a Etanol da Liconic atua em energia de emergência, como um backup sustentável e mais econômico. Apesar das diferenças de escala e aplicação, as duas iniciativas fazem parte de uma mesma agenda: ampliar o uso do etanol brasileiro na geração de energia e reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
Esse tipo de desenvolvimento também impulsiona a importância de programas de fomento, políticas públicas e parcerias entre empresas, governo e instituições de pesquisa. Essa sempre é a maior dificuldade pois tecnologias novas precisam atravessar etapas de validação, escala e amadurecimento regulatório até se tornarem soluções competitivas para o mercado.

Uma rota brasileira para energia limpa e despachável
O teste da Suape Energia com a Wärtsilä abre uma nova etapa para o uso do etanol na geração elétrica. Os próximos resultados de operação, desempenho, custo, emissões e confiabilidade serão importantes para indicar o potencial da tecnologia e suas aplicações mais adequadas.
Para o Brasil, o projeto demonstra uma oportunidade ainda maior: transformar a transição energética em não apenas uma agenda de desenvolvimento, mas um pilar elementar para a evolução agroindustrial da nação, reforçando nossa capacidade de criar, testar e escalar soluções baseadas em suas próprias vantagens competitivas.
Na visão da Liconic, esse é o caminho estratégico. O Ecogerador a Etanol nasce dessa mesma lógica: usar uma cadeia brasileira consolidada para oferecer backup renovável e barato de energia de emergência.

Essas inciativas demarcam o início de uma transição não apenas de energias, mas de entendimento de que o etanol pode ir além do uso automotivo e ocupar um papel relevante na geração de energia limpa, despachável e nacional.
João ‘Jovis’ Arruda – Diretor Liconic Technology
