O setor aeronáutico tem sido constantemente pressionado a reduzir suas emissões. A aviação representa cerca de 2,5% das emissões globais de CO₂ segundo a International Air Transport Association (IATA). Em 2022, isso significou mais de 900 milhões de toneladas de CO₂ despejadas na atmosfera. Embora o foco principal da descarbonização esteja nas aeronaves em voo — com tecnologias emergentes como o SAF (Sustainable Aviation Fuel) e o hidrogênio — pouco se fala sobre as emissões geradas em solo.
GPU a Etanol: Um grande passo na descarbonização aeronáutica em solo
Neste contexto, um equipamento essencial, mas negligenciado, surge como oportunidade concreta e de ação imediata: as GPUs — Ground Power Units, ou Unidades de Potência Terrestre.
O que é uma GPU e qual o seu uso?
As GPUs são sistemas móveis ou fixos usados para fornecer energia elétrica às aeronaves no solo. Enquanto a aeronave está no pátio, com seus motores e APU desligados, a GPU alimenta sistemas essenciais como:
– Iluminação e climatização da cabine;
– Sistemas de navegação e comunicação;
– Carregamento de baterias e funcionamento de sistemas de bordo durante manutenção;
– Suporte às operações de solo como limpeza, catering e embarque.
Ou seja, elas são indispensáveis para a operação eficiente e segura em solo. No entanto, a maioria das GPUs ainda é movida a diesel, o que gera emissões significativas, além de ruído e custo elevado de manutenção.
Estudos realizados por aeroportos como Heathrow, e instituições como ICAO e FAA, indicam que as emissões em solo podem representar até 15% das emissões totais de uma operação aérea curta. Destas, as GPUs contribuem com até 8%, dependendo da intensidade de uso e tempo de escala. Mesmo não sendo a principal fonte de emissões no ciclo da aviação, é um ponto de emissão direto, local e 100% passível de substituição com tecnologias já disponíveis.
O que a aviação está fazendo para descarbonizar?
As principais estratégias hoje estão concentradas em:
– SAF (Sustainable Aviation Fuel): combustível sustentável de aviação que pode reduzir até 80% das emissões de ciclo de vida. Contudo, ainda é caro e com produção limitada;
– Hidrogênio verde: aposta para as próximas décadas, mas ainda enfrenta desafios técnicos, regulatórios e logísticos;
– Eletrificação parcial: em veículos de apoio e sistemas auxiliares, mas com limitações de potência e autonomia.

Ou seja, as soluções para os vôos estão em desenvolvimento, mas as emissões em solo já podem ser atacadas com soluções práticas e economicamente viáveis, como as GPUs movidas a etanol.
Etanol como alternativa ao diesel para GPUs
O Brasil é uma das poucas nações no mundo com uma cadeia consolidada de etanol, desde a produção até a distribuição nacional. Isso reduz a complexidade logística e permite pensar em soluções regionais de baixo carbono.
O etanol é um biocombustível renovável, com emissões até 91% menores que a gasolina em ciclo de vida Liconic Ecogerador Port. Além disso:
– Tem até 98% menos emissões de GEE que o diesel;
– Não produz fumaça negra ou odor agressivo;
– Tem custo por litro mais estável e menor volatilidade cambial;
– Pode ser operado com motores e tecnologias de ignição já dominadas no Brasil.
No caso das GPUs, isso se traduz em uma transição energética imediata, sem a necessidade de grandes investimentos em infraestrutura ou adaptação da cadeia de suprimentos.

A tecnologia para isso já existe, e é nacional
No Brasil, a Liconic já desenvolveu ecogeradores® a etanol altamente eficientes, com automação, monitoramento por IoT, manutenção preditiva e baixo custo operacional. Esses geradores são usados atualmente como backup em locais críticos como condomínios, sistemas de segurança e equipamentos industriais, onde fornecem energia por até 50 horas com tanques estendidos e garantem confiabilidade total.
A tecnologia do Ecogerador® pode ser aplicada diretamente como GPU!
A arquitetura de um gerador estacionário de média potência com partida automática, controle de carga, sistema de escape otimizado e telemetria já atende aos requisitos de uso contínuo em solo aeroportuário. Isso permite:
- Redução imediata de emissões locais;
- Melhoria na qualidade do ar e no ambiente sonoro;
- Custos operacionais menores e previsíveis;
- Rápida implementação com apoio da cadeia nacional de etanol.
Impacto Imediato!
Enquanto o mundo busca alternativas complexas para reduzir o impacto da aviação, adotar GPUs a etanol é uma medida simples, direta e com impacto real.
Mesmo que a substituição das GPUs não represente o maior corte nas emissões da aviação, é um gesto concreto que demonstra comprometimento com a transição energética, hoje, não daqui a 20 anos.
Ou seja, o primeiro passo já pode ser dado!
A descarbonização do setor aeronáutico é um desafio de escala global, mas começa com decisões locais. Substituir geradores a diesel por GPUs a etanol em solo é uma dessas decisões. Com tecnologia disponível, biocombustível acessível e cadeia de suprimento pronta, essa é uma das poucas soluções que podem ser aplicadas de forma imediata, econômica e estratégica.
Sua operação em solo ainda depende de diesel? Que tal começar pela GPU?
Fale com a Liconic. Vamos cocriar essa transição com soluções que já existem e entregam resultados em curto prazo.
Publicado por: Jovis Arruda (CEO – Liconic Technology)