COP 30: Etanol seria uma solução melhor que o biodiesel para os geradores?

Conjunto de Geradores a Diesel enfileirados no evento COP 30 e a direita o ecogerador a Etanol sustentável

O que era para ser exemplo, se tornou motivo de chacota, deixando a Amazônia com cheiro de diesel e poças de óleo. Teria o etanol salvado a COP 30 das fortes críticas por utilizar diesel S-10 nos geradores? 

Segundo notícia divulgada pelo Veja e confirmada pela própria organização da COP 30, o evento foi totalmente sustentado por geradores a Diesel S10, gerando revolta generalizada na internet. Comentários pontuaram a ironia de um evento climático que deveria servir como exemplo, reforçando que a dependência de combustíveis fósseis é maior do que a intenção de ser sustentável. 

O planejado era utilizar biocombustível 100% renovável, contudo esse planejamento não passou de uma linha de requisitos sem nexo na licitação. A explicação é simples, não é só ‘trocar o diesel por biodiesel’ que funciona em qualquer motor, assim como pensavam os governantes.

O Biodiesel (conhecido como B100), embora parecido, tem formulação e reação diferente do diesel convencional, resultando em inúmeros problemas para os motores, podendo dissolver a cola de filtros convencionais, forma borra no fundo dos tanques (entupindo bombas e injetores), tem maior acumulação de água (por ser higroscópico), sem contar que as propriedades no frio variam dependendo da fonte da matéria-prima, como exemplo os óleos de palma/dendê que podem chegar a solidificar em baixas temperaturas.   

Borra de biodiesel retirado de um tanque de gerador
Borra de biodiesel retirado de um tanque

Empresas como Scania e Volvo investem forte na resolução desses problemas, buscando tornar os motores adaptados para B100 mais confiáveis, mas como todo produto, deve-se passar por um longo processo de pesquisa, desenvolvimento e validação antes de entrar em operação no mercado.

No mais, apenas utilizar um diesel de fontes biológicas não faz ser uma alternativa totalmente verde. Estudos mostram que a redução média de GEE é de 80%, contudo, esse é apenas um dos indicadores. Quando observamos a redução de material particulado (fator que resulta em fumaça) temos uma redução média de 77%, e hidrocarbonetos tóxicos uma redução de apenas 35%. Logo mais vamos comparar esses números com o do etanol.

Ou seja, não é só trocar para Biodiesel que o problema está resolvido. 

O etanol é conhecido pela população, muitos abastecem diariamente os carros com ele, mas muitos esquecem da sua real força de sustentabilidade. Talvez a população não saiba mas o Etanol de cana (e de milho 2G) está em constante melhoria, já tendo uma cadeia de fornecimento madura, totalmente nacional, e que avança para total responsabilidade socioambiental, apresentando ganhos comprovados de emissões não apenas na combustão final, mas com baixíssimas emissões em todo o seu ciclo de produção. Em aplicações para geradores de ciclo Otto, é um  combustível que não produz fumaça nem odores. Para o Brasil, é soberania energética, desestimulando a importação de diesel, proporcionando mais valor localmente e com flexibilidade para cenários de pico de demanda.

Liconic Ecogerador a Etanol de 25kva sustentável e com baixas emissões com carenagem ecosilent para operação silenciosa e redução de ruído
Liconic Ecogerador a Etanol de 25kva com carenagem ecosilent

A péssima repercussão do ocorrido na COP 30 deixou claro que os geradores a diesel (mesmo que o Biodiesel) não são a melhor alternativa. Para um caminho de baixíssimas emissões, sem fumaça, e custo operacional competitivo, o Ecogerador® a Etanol se mostra uma excelente opção, ao qual iria reduzir não apenas as emissões, mas também poderia ter salvado a imagem do evento, ao qual rendeu críticas e “memes”, sendo apelidado de FLOP 30, gerando uma grande crise de reputação para os organizadores do evento. Na COP30, com a substituição de diesel coprocessado dos geradores por etanol, a mensagem do evento seria outra: a de fomentar tecnologia nacional, realmente limpa e acessível.  

Postado por: João ‘Jovis’ Arruda – CEO Liconic Technology

Referências: 

https://www.biodieselbr.com/estudos/biodiesel/comparacao-producao-energia-diesel-biodiesel-analisando-custos-envolvidos

https://www.biodieselbr.com/revista/018/b100-2